O Pentecostes é alegria, liberdade e
esperança.
Na tradição judaica, Pentecostes é a festa da colheita, festa
das primícias, que acontece cinqüenta dias após a Páscoa, quando tem
início a colheita. Caracterizava-se pela oferta de dois pãezinhos
trazidos ao templo, e inaugurava a peregrinação à Jerusalém, para
levar as primícias dos cereais, da vinha, das flores, das romãs, das
oliveiras e das tâmaras.
Com a destruição do Templo, a festa será ligada
ao dom da Torá, revelação de Deus à Israel no monte Sinai, como
elemento libertador, introduzindo uma dimensão espiritual na vida do
povo de Deus, instituindo uma relação pessoal entre Deus e Seus
filhos, em uma aproximação de amor que deve ser refletido em todos
os domínios da existência.
Na tradição cristã, Pentecostes é a festa da
descida do Espírito Santo sobre a Igreja, trazendo a alegria, a
liberdade e a esperança. O Espírito surge como vento impetuoso,
aparecendo como línguas de fogo, produzindo como resultado essencial
o fato de que toda a Igreja ali passa a falar da mensagem de
esperança que existe em Cristo Jesus, O Ressurreto – Nele há
salvação!!! E todos que assistem o evento ouvem e compreendem em sua
própria linguagem tal mensagem!!!
Conta uma tradição que a casa onde se reunia a
Igreja primitiva em Jerusalém, estava de fato situada sobre a colina
de Sião, daí poder-se-ia relacionar o evento do Sinai e o evento de
Sião. No alto do monte Sinai, onde Moisés encontra a sarça que ardia
e não se consumia, Deus revela-se como fogo que pode ser visto do
acampamento israelita, e de tal modo é o encontro com Deus que o
rosto de Moisés se torna resplandecente, a ponto de vir a ser
coberto com um véu! Assim também no Pentecostes o vento, o fogo e a
palavra dos discípulos chamam a atenção do povo para o acontecimento
ímpar do nascimento da Igreja de Cristo, que é tão abrangente que
inclui todos os povos, que entendem a mensagem de salvação em sua
própria linguagem!!!
O Pentecostes é a festa da alegria de sabermos
como cristãos que não somos órfãos, não estamos sós neste mundo de
Deus, que somos revividos por que o Espírito está e habita em nós!!!
Por isso temos a paz e o nosso coração não se turba nem se atemoriza
diante da perplexidade e complexidade do mundo em que vivemos.
Estamos vivos, estamos alegres e a nossa alegria ninguém poderá
tirar!!! Bem diz o apóstolo : “Em tudo somos atribulados, porém não
angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém
não desamparados; abatidos, porém não destruídos”.
O Pentecostes é a festa da liberdade de
sabermos como cristãos que não mais nos aprisionam laços de morte,
tormento e angústia, que permeiam a vida daqueles que não são livres
para viver. Somos livres porque foi para a liberdade que Cristo nos
libertou, e nesta nossa liberdade nos submetemos a Cristo para
servi-Lo e para servir ao nosso próximo, ao nosso irmão, que tal
como cada um de nós é criado à imagem e semelhança de nosso Deus, e
portanto, objeto do Seu amor e misericórdia!!!
É nesta liberdade que transcende o nosso ser
que nos ofertamos e servimos a Deus, de tal modo que pelo próximo,
pelo outro, a nossa própria vida é oferecida como sacrifício e aroma
suave ao Deus de amor, que em Jesus Cristo nos alcançou e libertou
para que tenhamos vida e vida em abundância.
A presença do Espírito é vento que impulsiona e
leva por caminhos diferenciados, sem a mesmice do rotineiro e do
enfadonho. A novidade de vida faz com que nós cristãos em nossa
liberdade escolhamos os caminhos do bem e da vida, para que sejamos
como árvores que balançando ao sabor do vento, possamos produzir
sombras de refrigério e vida, para o outro.
A presença do Espírito é fogo transformador que
sara, cura e transforma sem destruir, trazendo a luz que ilumina a
região da sombra da morte para produzir e renovar a vida. É a chama
do amor de Deus pela Sua criatura, a qual busca incessantemente
desde o princípio, aguardando pacientemente que todos cheguem à
salvação!!!!!!
O Pentecostes é a festa da esperança de
transformação do mundo e da sociedade em que vivemos, tal qual a
tinham os primeiros discípulos e Pais da Igreja, que com sua
proclamação da Palavra produziram efeitos sociais, políticos e
religiosos em seus contextos vivenciais. E assim tem sido a história
da Igreja, mostrando que há esperança para nosso mundo e para nossa
história, que não estamos ao acaso, abandonados, sem rumo e sem
destino no mundo de Deus em que vivemos.
“O mundo jaz no maligno”, invocam os mais
puritanos para não representa-lo diante de Deus no seu serviço
litúrgico. Mas aqueles imbuídos da ação do Espírito têm coragem,
força e sabedoria para proclamar que a santidade de Deus coexiste
com a pecaminosidade do homem, desde o princípio!!! Por isso há
esperança no mundo, porque o amor de Deus é derramado no coração dos
cristãos que são templo e habitação do Espírito Santo!!! E assim a
presença de Deus é existencializada no Seu mundo, mostrando que está
sempre com aqueles que Nele crêem, realizando o trabalho de
transformação deste mundo de dores e sofrimento, para que venha a
ser nova terra de alegria, liberdade e
esperança!!!
O
Pentecostes como festa de alegria, liberdade e esperança, nos
desafia a como cristãos mostrarmos a nossa cara ao mundo,
proclamando a Palavra de que a alegria pode ser vivenciada neste
mundo de tristezas e dissabores, que a liberdade existe a despeito
da violência, da injustiça e da corrupção que agrilhoam o bem e a
vida,
e que a esperança de transformação do mundo e da sociedade é
possível e realizável, porque Deus, O Criador, está presente em Seu
mundo, dirigindo-o com mão forte e poderosa, demonstrando a todo ser
humano o Seu amor e Sua misericórdia em Jesus Cristo, o Ressurreto
!!!
Wislanildo Franco
ML - Paróquia do Mediador / DARJ.
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